JOY DIVISION continua fazendo escola…

•dezembro 19, 2009 • Deixe um comentário

Ian Curtis costurava letras do mais obscuro naked lunch a devaneios utópicos do admirável mundo novo. Bernar Summer estava aprendendo a tocar guitarra, Peter Hook marcava secamente o baixo enquanto Stephen Morris descompassava o andamento dos outros. Era Joy Division, um diamante raro na cena punk. O que me deixa feliz é que eles continuam fazendo história.

Bravo, New Young Ponny Club e sua garota perdida!

30 anos de LONDON CALLING

•dezembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Cada pessoa tem seu estilo musical. Em algumas fluem maravilhosos arranjos de violinos sendo tecidos no ar com perfeita simetria, em outros o samba faz com que, quase sem querer, comecem a gingar nos primeiros compassos, já em minhas veias correm três acordes, uma linha de baixo galopante, guitarras cortantes e um vocal gutural, ou seja, punk rock.

Hoje, fazem 30 anos que o Clash lançou o álbum London Calling, em 14 de dezembro de 1979. Este foi o terceiro álbum de estúdio deles, uma bela mistura de punk, pop, rockAbilly, reggae, R&B.

A faixa título é um clássico inesquecível, mas vale muito a pena prestar atenção em “train in vain”, “clampdown”, “the guns of brixton”, “brand new cadillac” e “spanish bombs”.

Prodigy no Brasil

•novembro 2, 2009 • Deixe um comentário

Cenário: início dos ano 90.
Algumas bandas surgiram com o rótulo NEO PUNK [na verdade nos últimos suspiros dos 80]…
Bobagem…
Confundidos, na carona do Chemical Brother, veio o Prodigy, catalogados na cena eletrônica, mas estes sim PUNK!
Ao contrário das outras bandas [neo]punk, acrescentaram o experimentalismo eletrônico, foram além da guitarra tosca, o baixo pesado e pouco glamour na bateria (exceto Topper Headon), brindaram de fato a acidez punk e sua atitude.
<saiba mais aqui>

Passion Pit – Sleepyhead

•outubro 29, 2009 • Deixe um comentário

Mais do anti-poeta

•outubro 21, 2009 • Deixe um comentário

MANIFESTO

Nicanor Parra

Senhoras e senhores
Esta é a nossa última palavra
- Nossa primeira e última palavra –
Os poetas desceram do Olimpo.
Para os nossos antepassados
A poesia era um objeto de luxo
Mas para nós
É um artigo de primeira necessidade:
Não podemos viver sem poesia.
Diferente de nossos antepassados
- E o digo com todo respeito… –
Nós sustentamos
Que o poeta não é um alquimista
O poeta é um homem como os outros
Um pedreiro que constrói seu muro
Um construtor de portas e janelas.
Nós conversamos
Na linguagem de todos os dias
Não acreditamos em signos cabalísticos.
Ademais, uma coisa:
O poeta está aí
Para que a árvore não cresça torcida.
Esta é a nossa mensagem.
Nós denunciamos o poeta demiurgo
O poeta Barata
O poeta Rato de Biblioteca.
Todos estes senhores
- E o digo com muito respeito…-
Devem ser processados e julgados
Por construírem castelos no ar
Por esbanjarem o espaço e o tempo
Redigindo sonetos à lua
Por agruparem palavras ao azar
Conforme a última moda em Paris.
Para nós, não:
O pensamento não nasce na boca
Nasce no coração do coração.
Nós repudiamos
A poesia de óculos escuros
A poesia de capa e espada
A poesia de chapéu abanado.
Propiciamos a mudança
A poesia a olho nu
A poesia a peito aberto
A cabeça de cabeça descoberta.
Não acreditamos em ninfas nem tritões.
A poesia tem que ser assim:
Uma garota rodeada de espigas
Ou não ser absolutamente nada.
Porém, no plano político
Eles, nossos avós imediatos,
Nossos bons avós imediatos!
Refrataram e se dispersaram
Ao passarem pelo prisma do cristal.
Uns poucos se tornaram comunistas
Não sei se foram realmente.
Suponhamos que foram comunistas,
O que eu sei é o seguinte:
Que não foram poetas populares,
Foram uns reverendos poetas burgueses.
Devemos dizer as coisas como são:
Somente um ou outro
Soube chegar ao coração do povo.
Sempre que puderam
Declararam de palavra e de peito
Contra a poesia dirigida
Contra a poesia do presente
Contra a poesia proletária.
Aceitemos que foram comunistas
Mas a poesia foi um fracasso
Surrealismo de segunda mão
Decadentismo de terceira mão,
Tábuas velhas devolvidas pelo mar.
Poesia adjetiva
Poesia nasal e gutural
Poesia arbitrária
Poesia copiada dos livros
Poesia calcada
Na revolução da palavra
Em circunstâncias de poder fundar-se
Na revolução das idéias.
Poesia do círculo vicioso
Para meia dúzia de eleitos:
“Liberdade absoluta de expressão!”
Hoje nos persignamos perguntando
Para que escreviam essas coisas
Para assustar ao pequeno burguês?
Tempo miseravelmente perdido!
O pequeno burguês não reage
Senão quando se trata do estômago.
Como vão assustá-lo com poesias?!

A situação é a seguinte:
Enquanto eles estavam
Por uma poesia do crepúsculo
Por uma poesia da noite
Nós propugnamos
A poesia do amanhecer.
Esta é a nossa mensagem.
Os resplendores da poesia
Devem chegar a todos por igual
A poesia chega para todos.
Nada mais, companheiros
Nós condenamos
- E o digo com respeito…-
A poesia do pequeno deus
A poesia da vaca sagrada
A poesia do touro furioso.
Contra a poesia das nuvens
Nós contrapomos
A poesia da terra firme
- Cabeça fria, coração ardente
Somos pés-no-chão decididos…
Contra poesia de café
A poesia da natureza
Contra a poesia de salão
A poesia de protesto social.
Os poetas desceram do Olimpo.

Tradução: Antonio Miranda

Extraído de Outros Poemas (1950-1968).

3 Visões de Mim

•outubro 20, 2009 • Deixe um comentário

Visão 1ª- Indigência de mim:
Sou órfã de mim mesma.
Meu comportamento não é meu,
Não é de ninguém.
Mas é de todos.
Sou um ser genérico.

Visão 2ª- Errante no outro:
Sei que não sou daqui,
Este mundo me sufoca.
E o que me sufoca sou eu mesma,
Minhas possibilidades não são próprias
E minhas ações são responsabilidade com o outro.

Visão 3ª- Encontrando o lugar:
Tenho chão, quando entendo minhas faltas
E entendo minhas limitações.
Ter propriedade é ter liberdade.
Mas continuo a carregar minha pedra nas costas
Provavelmente será para sempre assim.

By Juliana Menuchah

Ícaro

•outubro 20, 2009 • Deixe um comentário

Da janela, meus olhos sintilam
Em busca de um tempo perfeito

Do parapeito de mim, me atiro
nas cordas da segurança de teu ser

Me afago em teu peito e beijo
então, volto a viver

by Gabriel Shamai

Grata surpresa

•outubro 12, 2009 • Deixe um comentário

Vasculhando a internet me deparei com este projeto do Beck e suas versões para o disco Velvet Undergroun & Nico, simplesmente maravilhoso!!!

A estética dos vídeos é singela, porém fantástica.

Venus in Furs

Sunday Morning

All Tomorrows Parties

I’ll Be Your Mirror

O anti-poeta

•setembro 12, 2009 • Deixe um comentário

Assim Nicanor Parra Sandoval se auto-denominava.

Rebelde, preocupado com o simples, busca uma nova linguagem que emerge do cotidiano, do coloquial, do povo.
Irônico, lúcido, agudo, sai do piso de mármore da estética para, descalço pisar no chão batido e calçadas da fala simples, dos cartazes, desconstruindo o formal.

 
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